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Você sabe como é feita uma pesquisa de tendências?

A empresa brasileira BOX1824 é uma das mais fortes representantes deste setor no país e provavelmente você já deve ter visto alguns dos videos criados pela empresa que mostram resultados de suas pesquisas.

Através do compartilhamento livre do conhecimento, a BOX tem contribuído para a decodificação de um nova geração de jovens (Millennials) que está chegando ao mercado de trabalho e seu mais recente vídeo, All Work and All Play, expõe comparativos muito interessantes sobre essa geração e as anteriores.

Para assistir ao vídeo All Work and All Play clique no link: http://vimeo.com/44130258

E para entendermos melhor o conceito do video (que atingiu mais de 200mil visualizações nas primeiras semanas de divulgação) e o processo de trabalho da empresa, Eduardo Biz, pesquisador do Núcleo de Tendências da Box1824, concedeu uma entrevista exclusiva ao Programa DaVinci que você confere logo abaixo.

Aprecie e compartilhe.

DaVinci: Olá Eduardo, nossos leitores se interessam muito por assuntos relacionados a novos comportamentos de consumo e pesquisa de tendências, mas para grande parte da população brasileira isso pode soar como uma atividade distante da realidade pelas referências sempre estrangeiras de sites e empresas que fazem este tipo de trabalho. Explica pra gente o que é a BOX1824 e como funciona o trabalho de identificação de comportamentos em território tupiniquim.

Eduardo: A Box1824 é uma empresa de pesquisa de comportamento do consumidor e tendências. Nossas pesquisas são feitas em modelo tailor made para os clientes, com pesquisas de campo tanto no Brasil quanto em outros países. Por isso, a Box tem um time global que nos ajuda a entender as particularidades locais e os movimentos globais. Esse time está recrutado e treinado em nossas metodologias e pode ser acionado de acordo com a necessidade e o tamanho do projeto. Temos trabalhos a respeito de diversos targets e segmentos, como jovens, classe C, esportes, mercado de luxo, entre outros. Isso nos dá uma visão ampla sobre as mudanças comportamentais e de consumo que estão acontecendo no Brasil no mundo.

Além destas pesquisas direcionadas aos clientes, também dividimos abertamente alguns conteúdos. Dois bons exemplos são o We All Want To Be Young, um vídeo-retrato da nova geração de jovens e a pesquisa O Sonho Brasileiro – um estudo aberto, sem viés de consumo, sem fins lucrativos, que visa ouvir a primeira geração global de brasileiros para entender seus valores, a forma como enxerga o país, os papéis que se propõe a desempenhar nele e os cenários futuros em que se vê atuando. Além disso, reforçando nosso gosto pelo compartilhamento, temos o Ponto Eletrônico, que é um blog sobre assuntos ligados à cultura contemporânea, e o Timebox, um calendário global com eventos relevantes para o mercado.

DaVinci: O “1824” do nome da empresa é um recorte etário da população que se localiza no topo da pirâmide de influência, correto? Como funciona na prática os estudos e pesquisas da BOX1824 levando-se em consideração estes jovens? É possível, por exemplo, atender a uma empresa que possui um target totalmente diferente e ainda assim a BOX manter-se fiel a este recorte? Ou vocês só atendem empresas que atuam mais diretamente com este público específico?

Eduardo: Estamos sempre de olho nesse target de 18 a 24 anos, justamente por ser o público considerado centro primário de influência na sociedade global de consumo. Porém, aplicamos pesquisas com grupos de todas as idades. No fenômeno natural causado pela pirâmide de influência, as características da geração Y são almejadas pelas outras gerações. São eles os disseminadores de novas linguagens, exercendo influência aspiracional frente aos teenagers e inspiracional na sua relação com os adultos.

DaVinci: Como você mesmo citou, em 2010, a BOX1824 lançou o vídeo “We All Want to Be Young” em que a geração dos Millennials ou a primeira juventude global foi descrita como hiperconectada, ansiosa e de talentos múltiplos. Essas características, na visão da BOX, são facilmente reconhecidas por todo o globo? O Brasil, pelo seu histórico econômico e social, talvez nos forneceria perfis um pouco diferentes, não? Por exemplo, a entrada forte da classe C no mercado de consumo não explicitaria diferentes características de comportamento on e offline?

Eduardo: Tendências de comportamento são movimentos globais, enquanto os seus desdobramentos são adaptados localmente de acordo com a situação de cada lugar. Essa leitura é o que caracteriza a maneira tailor made com que desenvolvemos nosso trabalho.

Tendências são geradas por grandes Drivers, ou seja, mudanças sócio-culturais, econômicas, tecnológicas e do meio-ambiente, com potencial para alterar o rumo da evolução do mercado. As Macrotrends são as tendências de comportamento globais que afetam diferentes esferas da sociedade e segmentos de consumo. Elas se desdobram em Microtrends, que são reflexo de como os movimentos irão impactar o segmento nos próximos anos. Além disso, temos as Expressões, que são a tangibilização destas tendências e traduzem localmente, em cada cultura, como a tendência se manifesta.

DaVinci: E como vocês chegaram ao vídeo mais recente “All Work and All Play”? Foi um desdobramento natural dos dois anteriores ou já fazia parte de um planejamento prévio realizar uma abordagem mais próxima dessa geração? Como foi o processo de pesquisa para a construção deste vídeo? Vocês saíram a campo para coletar novas informações ou compilaram dados de diferentes pesquisas anteriores?

Eduardo: O vídeo mais recente foi um desdobramento natural do We All e do Sonho. O formato “vídeo” é muito funcional pra nós justamente pelo alcance que ele tem. É a possibilidade de expor visualmente nossas ideias e dividir nosso conhecimento com um número maior de pessoas. Além disso, a linguagem de vídeo tem muito a ver com a geração Y por se tratar de um mashup, ou seja, apresentamos um conteúdo relevante, que antes estaria restrito somente a nós, montado a partir do material que já está disponível na cultura e que é facilmente reconhecível por todas as gerações.

Compilamos dados de diferentes pesquisas anteriores e nos aprofundamos no que estava sendo falado sobre o assunto em toda a imprensa. O vídeo surgiu a partir da nossa percepção de que o assunto estava suscitando discussões e questionamentos, e como nosso papel é entender todos os anseios dos jovens, enxergamos ali a oportunidade de resumir o que estávamos vendo nas pesquisas na forma de uma tendência de comportamento.

DaVinci: Os jovens de hoje devem ter se identificado bastante com o vídeo, mas e as outras gerações? Como está a repercussão?

Eduardo: A repercussão do vídeo foi muito legal. Inclusive, rolou uma ótima aceitação das gerações anteriores aos Millennials. Sem querer, o vídeo acabou tendo um papel mais “conciliador” nas relações de trabalho, pois as pessoas conseguiram entender melhor suas diferenças de identidade e a partir daí evoluir os processos de acordo com seus potenciais específicos. Além disso, escutamos comentários do tipo “ok, agora consigo perceber que meus filhos não estão tão perdidos como eu pensava”. A partir da compreensão deste comportamento diferente dos Millennials no que diz respeito ao trabalho, foi possível que as gerações anteriores entendessem que os jovens estão numa busca que realmente faz sentido, e no fundo, parece que está dando certo.

DaVinci: Além de um propósito institucional, qual é a expectativa da BOX1824 com a produção e divulgação desses vídeos?

Eduardo: Na Box, a gente acredita que “sharing is caring”. Queremos compartilhar nosso conhecimento!

DaVinci: Estamos na era do compartilhamento e colaboração. A BOX1824 já enxerga uma mudança por parte do mercado brasileiro para se adaptar a esta nova realidade? Nossa cultura empresarial ainda com fortes traços do consumismo e competitividade yuppie está pronta para essa abertura radical?

Eduardo: Pronta ou não, é inevitável que a cultura empresarial brasileira comece a rever seus valores. Esse update não acontece de forma radical, mas aos poucos, gradativamente. A mudança é clara, e já está acontecendo. Algumas empresas já estão trihando este caminho de colaboração e compartilhamento e se adaptando a esta nova maneira de ver o mundo. Uma postura institucional mais alinhada com o nosso tempo será mais eficiente do que exibir um comercial em horário nobre.

Agradecemos ao Eduardo pela entrevista e convidamos agora você a compartilhar conosco a sua opinião. O que essa nova geração de jovens inquietos e hiperconectados pode trazer de inovação para o mercado de trabalho? Você é um deles ou já pensou em como se adaptar aos novos conceitos sociais?

Comentários

  1. Percebo que as empresas estão começando a se adaptar a um novo perfil de colaboradores (os millenials) e que isso reflete em como comunicar o valor da empresa aos consumidores.

    Tô vendo que o “compre aqui” do momento é recrutar os consumidores para uma causa que agregue valor aos consumidores e para a marca. A marca e os consumidores são um time, e não mais dois polos querendo se atrair.

  2. Admiro muito o box1824 e o vídeo é ótimo, mas parece que em todos os materiais que encontro sobre os “millenials”, há um certo deslumbramento com a geração. Posso estar equivocado ou sendo pessimista, mas na minha opinião, com as redes sociais, perfis pessoais bem construídos, comentários (e instagrams) bem fabricados, nossa geração está focada em criar a imagem que aparece no vídeo, de uma vida movida pela paixão, arte, festas, viagens, café e consumo cool. Mas o quanto disso é real e o quanto é virtual? Alguns jovens conseguem de fato viver do que amam e parecer ser os garotos-propaganda dessa geração, mas e nós, meros mortais?

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