• Foto: James Duncan Davidson (TED)

TEDGlobal 2012: Um mundo mais aberto

Don Tapscott já escreveu 14 livros sobre o digital, superconectado e hipercolaborativo mundo de hoje. Logo no início de sua palestra ele diz que abertura é uma palavra que denota: oportunidade, possibilidades, final aberto, corações abertos, código aberto e até bebida liberada (open bar).

“Estamos no ponto de virada da história da humanidade”, afirma o palestrante. Por um lado temos a chegada das novas gerações, que não tem medo da tecnologia, pois convivem com ela desde o nascimento. E de outro temos a crise global nos forçando a caminhar para uma sociedade mais aberta. Os sistemas antigos não funcionam mais e a junção disso com o avanço da tecnologia, somados ainda à fatores demográficos está fazendo o mundo se abrir.

Para Tapscott são 4 os príncipios capazes descrever um mundo mais aberto:

1) Colaboração
Uma abertura no sentido de fazer com que as fronteiras entre as empresas sejam cada vez mais porosas, fluidas e abertas. Para ilustrar ele conta a história de Rob McEwen, seu vizinho e empresário no ramo da mineração de ouro. Enquanto esteve à frente da Goldcorp, Rob fez uma coisa impensável nesse ramo: publicou os dados geológicos das suas terras na internet, para que qualquer um no mundo pudesse ajudá-lo a encontrar ouro. Ele ofereceu um prêmio de 500 mil dólares aos que topassem participar. E por essa quantia conseguiu encontrar 3,4 bilhões de dólares em ouro. Nada mal, não é? E ainda mais surpreendente é que boa parte dos trabalhos nem vieram de geólogos. A proposta vencedora veio de uma empresa de computação gráfica. Quando Rob McEwen descobriria isso se não tivesse optado pela colaboração?

2) Transparência
“Aqui estamos falando a respeito de comunicar de forma pertinente com os stakeholders”, afirma o palestrante. O Wikileaks perturbou muita gente, e ele é apenas a ponta do iceberg, pois o Julian Assange não é o único a ter informações sobre nossas instituições. Por isso, o imperativo delas se tornarem nuas e transparentes. E para ficar nu, é preciso fazer uma boa ginástica. Nossas empresas tem um valor a mostrar, e esse valor é muito melhor do que os valores financeiros.

3) Compartilhamento
A sabedoria convencional diz: se alguém violou sua patente, processe-o. Estamos percebendo hoje que isso não funciona muito bem. Basta olhar para a indústria fonográfica ou para a farmacêutica. Esse último setor, por exemplo, precisa começar a compartilhar informações antes de partir para o momento da concorrência. Trocando informações e dados entre si, podem criar uma grande onda de oportunidade, capaz de levantar todos os barcos.

4) Empoderamento
Para Tapscott “o mundo aberto está trazendo empoderamento e liberdade”. A Era da Internet permite que todos sejam produtores. Da sua fala pode-se entender que a internet não é a responsável pelas grandes transformações sociais que vemos no Oriente Médio. Contudo, é uma ferramenta que distribui o poder, assim como a prensa de Gutemberg permitiu a distriuição do conhecimento. Essas mudanças carregam problemas? Sim, o palestrante admite. Toda grande mudança traz. O importante é que esse é um passo sem volta.

Don Tapscott termina invocando a imagem de um bando de estorninhos (espécie de ave). Ele está estudando essa espécie através de vídeos espetaculares que mostram o comportamento do bando: coletivo, sincronizado, descentralizado e auto-organizado.

As aves apresentam uma forma tão bonita de interdependência, que podemos aplicar em nossas vidas. E isso deve nos encher de esperança. O mundo conectado que nossos filhos herdarão só pode ser um mundo melhor. Vamos fazer isso, conclui o palestrante.

Extra: se quiser se aprofundar no assunto, confira aqui o livro lançado pelo autor no mês passado – Macrowikinomics: New Solutions for a Connected Planet.

atualização: o vídeo da palestra já está disponível no site do TED. Por enquanto apenas em inglês.

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