• Foto: James Duncan Davidson

TED2012 – O outro lado da moeda: nossa civilização está a beira de um colapso

Em um mesmo dia o TED colocou em sequência duas ideias completamente antagônicas. De um lado Peter Diamandis, com a sua crença no otimismo e na abundância (veja nosso post sobre essa palestra). Do outro Paul Gilding – escritor independente, ex-CEO do Greenpeace, professor convidado na Universidade de Cambridge, conselheiro de CEOs de algumas das maiores companhias do mundo.

Paul é bem mais incisivo: o mundo está cheio. Estamos a beira de um colapso. Segundo ele, para o sistema econômico atual funcionar de maneira sustentável precisaríamos de um planeta e meio. Como não temos, roubamos recursos das gerações futuras. Há quem o questione: e a inovação? e o poder da tecnologia de nos oferecer soluções para esse problema? Paul não desconsidera que a inovação pode ajudar e muito, mas não será capaz de responder ao problema completo. Estamos operando 50% além da capacidade do planeta. Inovação e avanços tecnológicos podem nos ajudar a operar no limite da capacidade (eliminando esses 50%). Contudo, o problema real é o aquecimento da economia, que continuará empurrando esse número para cima. Especialistas afirmam que está previsto um aumento de 200% da economia mundial para os próximos 40 anos. Enquanto a China, sozinha, prevê alcançar esse patamar em menos de 20. Por isso, acreditar que vamos superar esse grande problema apenas com a abundância é uma ilusão. Há 50 anos recebemos vários avisos de que as coisas andam mal e até então não fizemos nada. Prova disso é que no último ano tivemos a mais alta emissão de CO2 de todos os tempos. Água, comida e combustível passam por fase crítica semelhante.

Precisamos, na verdade, é aceitar, reconhecer e encarar de frente o problema. Ele é sistêmico e as evidências estão ao nosso redor, basta olhar. Enfim, a crise é inevitável. Porém, a questão não é essa, e sim como vamos reagir. Ou então teremos que encarar nossos filhos e netos no futuro e dizer para eles que previmos a crise e não fizemos nada para evitar a fome, o desemprego, a falta d’água e a exaustão dos recursos naturais.

Nosso primeiro impulso pode ser negar, depois sentir raiva e medo. O medo é bom. É ele que nos motiva a dar uma resposta poderosa. E aí somos capazes de coisas surpreendentes. Isso é a crise boa. Algo semelhante ao que acontece nas guerras, onde surgem respostas efetivas e rápidas para vários problemas (no caso do Brasil, podemos pensar na crise da energia elétrica, o apagão). Sabemos e podemos reagir quando o perigo bate a nossa porta. A diferença é que agora ele bate a porta de toda a nossa civilização.

* Esse post faz parte da série TED2012 que vai rolar durante toda essa semana no Da Vinci.

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