• SOUTH
  • TED

O mundo está redescobrindo a América (Latina)

Hoje os brasileiros ligados ao TED, conferência mundial dedicada a espalhar boas ideias, acordaram eufóricos. Não é para menos. Chris Anderson, curador da conferência, anunciou no palco do TEDGlobal que esse mesmo evento, no ano que vem, ocorrerá no Rio de Janeiro. O TEDGlobal é realizado há seis anos no Reino Unido, o primeiro em Oxford e os seguintes em Edimburgo.

Segundo Chris Anderson o Rio foi escolhido porque “(…) está no coração de um continente borbulhando com novas ideias. Estamos muito felizes por finalmente irmos para o Rio. Essa conferência será ambiciosa e marcará um novo e emocionante capítulo na crescente comunidade global do TED”.

O tema da conferência é diferente de edição para edição, e o tópico escolhido para o evento no Brasil não poderia ser melhor: Sul!

“O TED trará sua comunidade global de pensadores e empreendedores para o sul da linha do Equador a fim de celebrar a efervescência de inovação e criatividade que ocorre em todo o hemisfério”, promete a nota divulgada pela organização do evento.

Coincidentemente (talvez não), um dos palestrantes do dia de hoje no TEDGlobal foi o mexicano e especialista em políticas econômicas Juan Paradinas. Quando jovem, há vinte anos, Juan e mais três amigos fizeram uma viagem em busca do continente desconhecido, a América Latina. Saíram de Montreal, no Canadá, e foram até a Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina.

Para Juan, a América Latina, naquele tempo de sua viagem e ainda hoje, é uma terra inexplorada, como era há 500 anos. A diferença é que no tempo de Colombo e Vespúcio faltava informação, hoje sobram clichês e preconceitos. E, diante disso, os países latinoamericanos hoje tentam passar uma clara mensagem para o resto do mundo: o passado não é um modelo fixo para as coisas que virão e o futuro não é uma repetição mecânica do presente. Prestem atenção, as coisas no lado sul do planeta estão realmente mudando.

O economista político afirma que existe um traço comum entre a natureza humana e o clima de um país: “um contagioso senso de frustração acontece quando os desafios de um indivíduo ou de uma comunidade permanecem os mesmos de uma geração para a outra”. Talvez isso explique o porque que essas mudanças, ainda pequenas em alguns setores, tem gerado um clima de otimismo entre os brasileiros e demais latinoamericanos.

Juan Paradinas dá exemplos de fatos que demonstram o poder de mudança dessa região.

- O México está vivendo um novo momento político sem o oportunismo dos políticos.

- O Brasil conseguiu tirar 28 milhões de pessoas da pobreza.

- A Colômbia tornou-se um lugar mais seguro (Bogotá tem indíces de criminalidade menores que de Chicago!) e é um polo de inovação política.

- O Chile está caminhando para ser o primeiro país desenvolvido do continente.

- Panamá e Peru estão entre as economias que crescem mais rápido no mundo.

Todos esses fatos são, para Juan, indícios de que a América Latina tem um futuro bem diferente e melhor do que aquele destino que ele conheceu vinte anos atrás. Que assim seja.

Insight Da Vinci: Os países da América do Sul podem e devem ser um modelo de possibilidade de transformação, algo tão desejado e necessário para boa parte dos países do hemisfério norte. Estamos sendo vistos assim, por pensadores como o sociólogo italiano Domenico de Masi. Parece um mero clichê, mas a nossa criatividade é de fato muito admirada lá fora. Temos um jeito diferente de encarar e resolver os problemas, apesar de todas as dificuldades. É bom prestar atenção no nosso próprio país e nos nossos vizinhos (Colômbia, Chile e Peru principalmente), pois o mundo inteiro também está fazendo isso, em busca de inspiração.

Faça seu comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>