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Espécies de plantas podem ser usadas para limpar zonas contaminadas

As plantas são organismos essenciais para nós porque transformam o gás carbônico do ar em oxigênio. Além dessa importante função, os cientistas passaram a pesquisar maneiras de usar algumas espécies para sintetizar outros compostos poluentes e limpar o ambiente de contaminações sérias.

Dylan Burge, do Departamento de Botânica da Academia de Ciências da Califórnia é especialista em plantas hiperacumuladoras, que atraem e sugam grandes quantidades de metal do solo, como ouro, níquel, cobre, zinco, cobalto, alumínio e manganês. Ele está desenvolvendo uma maneira de fazer com que essas espécies de plantas sintetizem metais em grandes quantidades, o que pode formar pedras preciosas num processo chamado de “fitomineração”. A ideia é usar essas plantas em minas abandonadas, onde ainda há bastante minerais espalhados pelo solo.

Assim, à medida que as plantas produzem os metais preciosos, a mina também vai sendo descontaminada até que esteja pronta para agricultura e outras atividades. Outra vantagem é que, durante o processo, é liberada muita eletricidade, que é usada na própria fitomineração. Burge trabalha agora com a espécie Streptanthus polygaloides, erva nativa da Califórnia nos EUA que é a terceira que mais acumula de níquel no mundo, podendo sugar até 2% de seu peso corporal. Desta forma, elas serão colhidas, processadas e o metal extraído.

Em Boulder, também nos Estados Unidos, o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR) está pesquisando maneiras de usar plantas para identificar a poluição do ar pelo gás ozônio. Quando presente na estratosfera, o ozônio é importante pois filtra os raios ultra-violeta do sol. Porém, quando encontrado na troposfera, onde vivemos, é um poderoso oxidante, que pode prejudicar mucosas e tecidos respiratórios de animais (inclusive humanos), ou pode até oxidar plantas, algumas espécies mais que outras. Na Índia, a poluição por ozônio em um ano mata plantações inteiras que produziriam alimento suficiente para alimentar 94 milhões de pessoas.

O NCAR construiu dois “jardins de ozônio” em Boulder, com espécies sensíveis ao poluente para medir a quantidade dele no ar. Aos poucos, de acordo com as concentrações do gás no ambiente, espécies como batata, serralha e feijão verde começam a ficar com pontos negros em suas folhas até morrer. A ideia é que jardins com essas espécies se espalhem por todos os EUA para servirem como indicadores dessa poluição invisível e perigosa.

Mas como acabar efetivamente com o ozônio na troosfera? Estudos revelam que cultivar parques próximos (e dentro) de grandes centros urbanos são a solução mais barata. Madrid e Cidade do México são exemplos de metrópoles que conseguiram melhorar a qualidade do ar ao investir em paisagismo e telhados verdes. Com os jardins, os níveis de ozônio diminuem consideravelmente. Em Houston, metrópole estadunidense com sérios problemas de poluição por ozônio, estima-se que seria necessário plantar 4 quilômetros quadrados de parques para tornar o ar da cidade mais “respirável”.

Reflorestamento com espécies que absorvem melhor o ozônio é uma das opções mais viáveis para cidades com problemas de contaminação pelo gás – além de criar espaços de lazer, cultura e saúde pra seus habitantes.

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