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Entrevistamos os criadores do Zine Disfunção – revista digital sobre processos criativos

Um dia recebemos aqui uma dica, era para conhecermos uma revista digital dedicada à investigação do processo criativo. Não precisou mais do que essa dúzia de palavras para nos deixar curiosos sobre o conteúdo do zine Disfunção. Com iPad em mãos, baixamos o app da revista e desde o primeiro instante ficamos impressionados. Primeiro com a qualidade gráfica e com o funcionamento – reconhecido no Prêmio Brasil Digital 2013 – e depois com os assuntos explorados nos artigos. Foi ainda com muita vontade de saber mais que conversamos com dois dos responsáveis pelo projeto, Christiano Mere e Fernanda Paixão, que nos concederam a entrevista abaixo.

Conta pra gente o objetivo da publicação?

Se fôssemos resumir, o zine é a forma de continuarmos pesquisando, nos colocando em postura de imersão e investigação sobre processo criativo. A ideia é fazer as pessoas pensarem sobre seus próprios processos, desmistificar o senso comum sobre o que significa criatividade. Em grande parte, o objetivo do zine é fazer as pessoas encararem seus problemas criativos sob uma nova perspectiva, e, em consequência, gerar novos olhares para novas soluções.

E quem escreve os artigos? Qual o perfil dessas pessoas?

Existe a equipe fixa e os articulistas convidados. Para desenvolver o conteúdo do zine montamos uma equipe de colaboradores que de alguma forma tinham questões latentes sobre seus processos ou com a forma de lidar com seus trabalhos. A equipe de conteudistas do zine é formado por duas jornalistas, Fernanda Paixão e Tatiana Fraga, que trazem um conhecimento organizacional e minucioso para os processos de escrita. Claro, cada uma com sua particularidade. Junto a isso temos o Christiano Mere, com formação de design, cujos estudos deram luz ao tema do zine e que desencadeou, ao final de toda a pesquisa da 1a edição, um ensaio sobre o tema “memória” atrelado à ideia de processo criativo; e a Luiza Rezende, publicitária, porém com grande apego à literatura. Assim, acredito que conseguimos ter montado um equipe “mult” que traz pluralidade ao zine.

Em contrapartida temos os convidados, pessoas que estão presentes em nosso cotidiano que admiramos e que sabem muito bem do que estão falando. Ao convidar o Hugo Rocha, um dos sócios da Vínculo Design, estávamos procurando um certo tempero mercadológico para o zine. Com o Lucas Azevedo não foi diferente; seus conhecimentos tipográficos aguçam o olhar dos leitores mais perceptivos.

Não temos uma fórmula para descrever o perfil unânime do conteudista do zine, mas são pessoas que, ao terem sido apresentadas a este universo investigativo sobre processo criativo, começaram a ter questionamentos mais profundos sobre este assunto e vimos uma boa oportunidade de juntar todas essas cabeças para gerar conteúdo.

Por que vocês escolheram o tema memória para a edição de lançamento do zine?

O tema foi um amadurecimento da ideia de “disfunção”, essa anomalia que ocorre a um objeto, fazendo com ele funcione de forma diferente, mas que ainda carregue referências do que foi antes. Levamos isso ao extremo: traduzimos esse conceito para as pessoas, seres humanos, criadores por necessidade e constantemente em mutação. Trazer o tema “memória” para a 1a edição era uma maneira de fazer as pessoas olharem para si, possibilitando pautas que atendiam a essa necessidade. E o tema, que será sempre bem abrangente, tanto quanto “memória”, permite diversos desdobramentos, tanto que é permitido falarmos sobre campos distintos entre si, como poesia, mercado, psicologia, tipografia, execução etc. Desde que se justifique dentro do tema.

Abordar memória justamente na 1a edição é fazer com que o leitor consiga se observar, no sentido de ter consciência de si, em seu lugar, interagindo com seu meio e suas ferramentas. Com isso, ele começa a ter questões sobre seu próprio processo. Iniciar o zine dessa forma é como uma iniciação ao próprio leitor. Não que seja uma iniciação para prepará-lo para as próximas edições; não, é uma preparação para ele mesmo, com o intuito de despertar curiosidade sobre processo criativo. Esperamos que, a partir disso, o leitor comece a buscar seus próprios caminhos no processo de criação e tenha interesse em ler mais sobre isso – porque dá resultado.

Como verdadeiros investigadores do assunto, que dicas vocês poderiam dar para quem quer aprimorar seu processo criativo?

Anote tudo que você puder, compartilhe suas ideias (porque elas só na sua cabeça são apenas metade de uma ideia) e leia o máximo que você conseguir – não em quantidade, mas em profundidade. São bons caminhos para associações inusitadas e que podem render boas, ótimas saídas criativas.

Tem uma previsão para lançamento de um próximo número e uma versão para Android?

A ideia é fazer do zine uma publicação semestral, mas ainda estamos nos organizando. Por ser um projeto colaborativo, a equipe acaba tendo responsabilidades fora do zine, portanto, a segunda edição deve sair em meados de 2014. Sobre uma versão para Android, estamos em fase de testes. Acaba sendo um tanto limitado devido aos inúmeros formatos existentes nesse sistema. O app para iPhones deve sair antes.

Para fazer download do zine Disfunção é só passar aqui.

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