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Diga-me seu idioma e te direi quais são suas características

Não é só seu signo que tem algo a dizer sobre você. Sua língua nativa também tem. E quem nos traz essa informação é o economista Keith Chen. Sim, a frase está correta e ele não é linguista. Sua pesquisa é relacionada justamente à economia dos países e aos seus respectivos idiomas.

Você sabia que em algumas línguas o tempo futuro não existe? Para dizer “ela chegou ontem”, “ela chega hoje” e “ela chegará amanhã” a estrutura é a mesma. Seria como dizer “ela chega ontem”, “ela chega amanhã”. Para nós soa estranho, para as pessoas que aprenderam a falar essas línguas “sem futuro” desde que nasceram, não. Chen então pegou um ranking de países que mais economizam no mundo, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e a comparou com países em que a língua é uma dessas “sem futuro”. Qual a surpresa? Os países em que são falados esses idiomas são justamente os que mais sabem economizar. A explicação de Chen: para essas pessoas o futuro não é algo à parte ou distante. E por isso elas tem 30% mais de probabilidade de economizar do que você que fala o bom português.
Pensa que é só? A influência da linguagem em nossas vidas vai para muitas outras áreas.

Suponhamos que o seu telefone celular esteja próximo a você. Qual é a posição dele? Nordeste ou sudeste? Ok, você pode não ter entendido nada, porém, as pessoas que falam 30% dos idiomas do planeta achariam muito normal. Enquanto em português nós nos referimos à posição relativa (esquerda ou direita), as pessoas nativas nessas línguas precisam saber exatamente em que lado nasce o sol para responder uma pergunta trivial como essa. Resultado: elas são muito melhores em se localizar espacialmente do que nós, mesmo que não façam a miníma ideia de onde estejam. Foi o que comprovou um estudo da professora da Universidade de Stanford, Lera Boroditsky.

E se você quebra o copo preferido de alguém? Se essa pessoa for americana ela vai contar para as outras que “Fulano (você) quebrou meu copo”. Já se ela for espanhola ou japonesa, provavelmente dirá que “o copo se quebrou”. Um outro estudo, esse de uma aluna de Boroditsky, demonstra que americanos são muito mais propensos a se lembrarem de quem quebrou algo acidentalmente do que japoneses e espanhois. Então você já sabe, se quebrar algo acidentalmente, torça para que o objeto não pertença a um americano. ;)

Quer saber mais sobre essas diferenças? Você pode ler um artigo no blog do TED ou assistir ao vídeo da palestra do economista Keith Chen, logo abaixo.

Insight Da Vinci: Ficamos aqui pensando em como essas características definidas pela linguagem poderiam ser úteis à inovação e logo veio uma resposta. Hoje a customização é desejada pelos consumidores e perseguida pelas empresas. Contudo, nem sempre acreditamos ter informações suficientes em mãos para fazê-la. E agora acabamos de descobrir que só de saber qual a linguagem do seu cliente, muitos dados já podem guiar o desenho da experiência que você proporcionará a ele. Não é?

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