• learn with homer capa

Crianças e adultos aprendem a ler com a ajuda de aplicativos de ipad, smartphone e celulares sem acesso à internet

Ipads e celulares oferecem tantos recursos irresistíveis que as crianças ficam rapidamente “hipnotizadas” por suas telas. É claro que o tempo que passamos conectados pode ser usado para devidos fins, mas a chance de aprender e potencializar nossos conhecimentos é de fato uma das coisas mais ricas de tudo isso. Aplicativos de aprendizagem, em especial, podem ter eficácia na complementação dos estudos formais para acelerar a alfabetização ou, na falta de recursos, atuar como verdadeiros professores em certas comunidades.

Pesquisa recente da NYU (Universidade de Nova Iorque) comprovou a eficácia do aplicativo Learn With Homer, feito para melhorar as habilidades leitoras de crianças de 2 a 6 anos. O estudo se deu entre 95 meninos e meninas de 4 e 5 anos em sete escolas diferentes da periferia de Nova Iorque. Eles passaram seis semanas tendo “aulas” diárias de 12 a 15 minutos, completamente imersas no aplicativo (inclusive com fones de ouvido), mas sem nenhuma intervenção dos adultos no sentido de ajudá-los a usar o app.

Depois desse período, as 95 crianças apresentaram melhora substancial na aprendizagem quando comparadas aos seus colegas de classe, especialmente em seu conhecimento das palavras e letras escritas, percepção fonológica e sons das letras. Os estudantes que tiveram a ajuda do app também tiveram notas mais altas no TOPEL (Teste de Alfabetização Precoce na Pré-Escola, em inglês Test of Preschool Early Literacy).

Tecnologia para reduzir a desigualdade e combater analfabetismo

A pesquisa pretendia, além de medir a eficácia do aplicativo, investigar se eles poderiam ajudar a reduzir a desigualdade de aprendizagem nas férias entre crianças em famílias de alta e baixa renda. Chamado de “summer slide”, alguns pequenos voltam à escola já bem mais avançados na compreensão das letras e sons, visto que o cérebro não tira férias. Essa diferença entre classes sociais é grande – as crianças em ambientes mais pobres já começam a pré-escola em desvantagem devido, especialmente, à falta de acesso à palavra escrita em casa.

Apostando na atração que os tablets exercem nas crianças e em seu ambiente altamente intuitivo, a ONG “Pencils of Promise” (Lápis da Promessa, a sigla PoP) lançou um projeto que pretende estimular a aprendizagem de crianças de comunidades carentes por meio de uso autônomo de iPads e dos aplicativos. A organização financia a construção de escolas, treina professores e mantém bolsas de estudos em países em desenvolvimento, como Gana, Laos, Nicaragua e Guatemala.

PoP está no momento com duas escolas-piloto desse novo método que alia alta tecnologia com a curiosidade natural dos jovens em comunidades de Gana, na África. Lá, professores atuam mais como apoiadores do aprendizado do que como fontes do conhecimento. Eles apresentam questões aos alunos e os deixam explorar as respostas pelos tablets por elas mesmas. É um método que encoraja o pensamento crítico e a retenção de conhecimento, baseado nas teorias de Sugata Mitra de “escola na nuvem” em que as crianças exploram e aprendem umas com as outras motivadas por curiosidade e interesse usando recursos da “nuvem” mundial (a internet), na chamada “educação minimamente invasiva”.

Os celulares também estão ganhando papel importante em comunidades com altos índices de analfabetismo e onde o acesso à escola é restrito. No Egito, mais de 240 mil pessoas aprenderam a ler com aplicativo da Fundação Vodafone em parceria com governo egípcio. Estima-se que cerca de 18 milhões de adultos no país sejam analfabetos, 70% deles são mulheres. Com essa estatística em mente, foi desenvolvido o app Vodafone Litteracy App. Criado para funcionar em celulares com sistema Android, ele é gratuito e seu uso se dá combinado a aulas presenciais administradas por facilitadores treinados. Para mulheres, esse recurso permite que elas estudem sem interferir drasticamente em sua rotina diária e frequentas as aulas em centros comunitários, escolas e mesquitas.

Na China, o projeto MILLEE (Mobile & Immersive Learning for Literacy in Emerging Economies) atua nas zonas rurais chinesas ensinando crianças a ler através do celular. Em ação na província de Henan, dois joguinhos de aprendizagem de celular foram desenvolvidos inspirados em jogos tradicionais das crianças chinesas. Esses jogos, criados em 2004 e com foco no ensino de mandarim, não são para smartphones: funcionam em celulares sem acesso à internet, daqueles com telas pequenas e baixo poder de processamento de dados. Isso, porém, não impede que crianças aprendam. Hoje em seu 11º ano, os jogos do projeto MILLEE também foram adaptados para o inglês desde 2007 e têm sido inseridos em comunidades rurais na Índia e na África sub-saariana onde a língua é uma das oficiais. Conheça mais sobre o projeto.

Aliada à escola, aplicativos de celular e ipad funcionam como ferramentas de aceleração do aprendizado, tanto em crianças quanto para adultos. Devido à atração e interesse que geram, eles podem ser usados para reter conhecimento e estimular a criatividade dos alunos. Porém, exatamente devido à “mágica” que os torna tão atraentes, há grande diferença entre usar os dispositivos como auxiliadores e deixar as crianças nas mãos de e-babás. Está comprovado que tempo demais nas telinhas pode afetar a habilidade das crianças em compreender emoções humanas e a Academia Americana de Pediatria desencoraja os pais a apresentar as telas para menores de 2 anos e recomendam um máximo de 2 horas de “tempo de tela” (incluindo televisão) para crianças mais velhas.

Faça seu comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>