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4 maneiras de se desentoxicar do vício na internet

Recentemente, um vídeo do comediante Louis C.K. tomou a internet. Nele, ele explica, de um jeito bem engraçado, por que odeia celulares e por que não dá um aparelho para seus filhos, mesmo que eles implorem. “Acho que essas coisas são tóxicas, especialmente para crianças. [...] Elas não olham nos olhos das pessoas enquanto conversam”. Para o comediante, nunca estamos completamente felizes com os celulares e as tecnologias nos distraem de sentimentos realmente importantes.

Seu pensamento sobre tecnologia parece que foi inspirado no livro de Alex Soojung-Kim Pang: “O Vício na Distração: Adquirindo a Informação que Você Precisa e a Comunicação que Você Quer, Sem Enfurecer Sua Família, Irritar Seus Colegas e Destruir a Sua Alma” (em tradução livre, sem versão em português ainda). Pang não chega a ser tão radical quanto C.K., ele pensa que a tecnologia atual pode estender nossas habilidades naturais e nos conectar com o mundo. Entretanto, fica preocupado com o nível que chega o controle da internet sobre nós, na importância que damos a um “follow” no Twitter ou um “like” no Facebook.

Pang dá algumas dicas bastante úteis para nós, que experimentamos uma sobrecarga tecnológica. Aqui estão quatro sugestões para viver sem stress, de uma forma produtiva. Ele resume seus métodos de forma sucinta: “A conexão é inevitável. Distração é uma escolha.”.

1 – Twitte conscientemente

É fácil com as mídias sociais esquecer que existem pessoas reais por trás de avatares. “O fato de que você está interagindo através de intermediários técnicos não devem distraí-lo de sua humanidade”, afirma Pang. Por isso, ele sugere uma interação consciente. Questione-se se você está na rede pelos motivos certos e saiba suas intenções. Se seu primeiro impulso é “retwittar” comentários sarcásticos ou bobagens, pare e pense se há necessidade.

2 – Multitarefas, não “troca-tarefas”

Um multitarefa não tenta assistir a um vídeo do YouTube ao mesmo tempo que escreve um email e tenta manter uma conversa com um colega de trabalho. Isso é “troca-tarefas”, cada uma dessas atividades tem um objetivo diferente. O verdadeiro multitarefas muda sua mente entre as diferentes partes de um processo que todos têm o mesmo objetivo. Por exemplo: picar tomate, em seguida, refogar as cebolas, em seguida, fazer uma marinada, todos com o objetivo de fazer uma deliciosa refeição. A melhor analogia baseada em tecnologia seria alternar entre um documento do Word, um PDF, e uma pesquisa do Google ao escrever um ensaio. Você está multitarefa, mas com um propósito singular.

3 – Experimente com e-mail

É impossível um trabalhador moderno evitar possuir um e-mail. Mas Pang tem várias sugestões para acabar com a checagem desnecessária de e-mails. Ele sugere um experimento, através do qual, no passar de alguns dias, você anote quantas vezes checa sua caixa de entrada, recebe um alerta e onde checa. E também anote quanto tempo gasta lendo, respondendo e escrevendo e-mails, quantas “mensagens realmente importantes você recebe por dia” e “seu nível de atenção e seu estado emocional antes e depois dessa checagem”.

Depois que coletar todos esses dados, comece pelo modo com que seus e-mails te fazem sentir. “Há momentos do dia em que se sente melhor para verificar sua caixa de entrada? Se há um padrão, o primeiro passo é claro. Tente, durante alguns dias, verificar seus e-mails só nesses momentos e não em outros”. Pang também sugere vê-los apenas em uma máquina – por exemplo, seu computador, em vez de seu iPhone ou iPad. Dessa forma, você poderá acabar com respostas frustradas

Pang alerta que isso pode não dar certo se você trabalha com algo que requer respostas imediatas e rápidas de e-mails. Todavia, para muitos, pode dar certo e ainda funcionar como um incentivo a não ficar tão ligado no celular quando está na fila da padaria ou, mais importante, com amigos e família.

4 – Lembre-se de respirar

Pang entrevistou um consultor de tecnologia que descobriu que a maioria das pessoas segura a respiração enquanto checa seus e-mails. Segurar a respiração, Pang explica, “reflete a ansiedade que muitos de nós sofre ao olhar a caixa de entrada, por não saber os problemas que podem aparecer ou terão de enfrentar”. Isso mostra o tanto que mentes, corpos e computadores estão profundamente conectados. Pang chama essa reação de “apnéia do e-mail” e diz que isso pode melhorar ao nos conscientizarmos de nossa respiração, meditarmos ou mesmo darmos uma pausa das telas de vez em quando.

Você não precisa seguir tão à risca as dicas de Pang, mas seria bom se começasse a se adaptar a este estilo de viver. Porque adotar atitudes como essas no seu cotidiano, implica numa melhora inclusive da sua qualidade de vida. A saúde agradece.

Insight Da Vinci: Se você considera “vício em internet” um termo exagerado, vamos te apresentar duas notícias que talvez o façam mudar de opinião. No Japão, uma pesquisa da Universidade de Nihon constatou que 8% dos estudantes estavam patologicamente viciados em internet. Fora desse grupo, 23% tinha problemas para dormir e 15% estavam propensos a acordar no meio da noite. O governo japonês estima que 500 mil estudantes entre 12 e 18 anos apresentem esse mesmo vício. Uma das soluções encontradas foi abrir campos de jejum de internet, nos quais os jovens são incentivados a praticar esportes, fazer atividades manuais e interagir com o ambiente. Já nos EUA, foi aberto na Pensilvânia o primeiro hospital para viciados em internet. Viu? Quando governos começam a tomar medidas para resolver um problema, pode ser que ele realmente seja mais sério do que imaginávamos.

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